Com Lava Jato sob pressão, juízes do TRF-4 fazem defesa da operação ao condenar Lula

Em meio à pressão sobre a Lava Jato após a divulgação de mensagens de procuradores no aplicativo Telegram, os juízes do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) manifestaram na quarta-feira (27) apoio ao trabalho desenvolvido na operação e a autoridades envolvidas, como o ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça.
A equipe da operação tem sofrido uma série de derrotas no STF (Supremo Tribunal Federal) neste ano, além de sofrer críticas de ministros da corte, como Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.
No julgamento desta quarta-feira, os juízes do tribunal regional votaram de maneira unânime pela condenação do ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia (SP), com aumento da pena para 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão.
Em seus votos, os juízes rejeitaram os pedidos de nulidade por suposta parcialidade de Moro e negaram que o convite para integrar o ministério do presidente Jair Bolsonaro tenha interferido no trâmite desse processo.
O relator do caso, João Pedro Gebran Neto, também afirmou que as mensagens reproduzidas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos, como a Folha, foram obtidas de maneira criminosa e não podem ser incluídas nesse processo.
“Só notícia de jornal”, disse o juiz sobre as mensagens publicadas.
Paulsen fez uma das manifestações mais favoráveis ao trabalho desenvolvido pela operação ao longo de mais de cinco anos.
“Não parecem adequadas as críticas feitas de modo generalizado à Operação Lava Jato. Pelo contrário, são centenas de pessoas que estão lá, há anos trabalhando para elucidar crimes que não são crimes de fácil apuração, crimes em que os réus são extremamente bem orientados e bem defendidos. É muito complicado trabalhar todo esse acervo.”
Ele relembrou o histórico da operação e disse que, no início, não se tinha dimensão de onde se chegaria.
“Não há nenhuma pessoa humilde aqui nesses processos”, disse.
O TRF-4 tem um histórico de alinhamento com as decisões de Curitiba. Neste ano, houve uma substituição no grupo que julga a operação na corte regional: saiu o juiz Victor Laus e entrou Carlos Thompson Flores.
Thompson Flores também lembrou descobertas da Lava Jato e disse que os prejuízos para a Petrobras foram de centenas de milhões de reais.
“Por conta desse processo, tomamos conhecimento de uma série de fatos ilícitos que horrorizaram o Brasil”, disse ele.
Os três também elogiaram o trabalho da juíza responsável pela sentença, Gabriela Hardt, dizendo que o exame das provas foi “minucioso”. Gebran e Paulsen negaram que tenha havido plágio na sentença, como havia argumentado a defesa de Lula.
“O que houve aqui foi o aproveitamento o de estudos feitos pelo próprio juízo”, disse Paulsen.
O representante do Ministério Público Federal, Maurício Gerum, criticou em sua manifestação a estratégia de defesa de Lula, que, para ele, se dedica a buscar nulidades no processo e provoca descrédito às instituições. “A estratégia defensiva que acaba se perdendo no seu próprio excesso.”
Após o julgamento, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que as mensagens trocadas pelos procuradores “reforçam vícios mencionados desde 2016, mostrando que o ex-presidente Lula não teve direito a um julgamento justo”.
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Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

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