Lava Jato pede para gestão Doria preservar arquivos do Rodoanel após fim da Dersa

A força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo enviou um notificação ao comando da Dersa para que a estatal paulista preserve os documentos referentes ao Rodoanel Mário Covas. O trecho norte da obra é objeto de uma apuração que está em curso na Justiça Federal sob suspeita de desvios de recursos públicos no valor de R$ 625 milhões. O temor dos procuradores é que tucanos possam sumir com papéis eventualmente comprometedores após a decisão do governador João Doria (PSDB) de acabar com a estatal —a proposta de extinção da empresa de obras viárias já foi aprovado pela Assembleia Legislativa paulista.

“Não permita, autorize, ordene ou execute ato que importe a supressão ou alteração de qualquer elemento documental ou informação, ainda que em meio eletrônico, referente às obras do Rodoanel Mário Covas”, diz o documento ao qual a reportagem da Folha teve acesso.

Uma cópia da recomendação foi enviada a Doria. Assinado por nove procuradores, o pedido faz um alerta ao presidente da estatal, João Luiz Lopes: “Em caso de descumprimento injustificado desta recomendação, não se poderá alegar desconhecimento do que aqui foi abordado em processos administrativos ou judiciais futuros”.

A destruição de documentos é um dos motivos contemplados pela lei nas justificativas para a prisão preventiva. Fundada em 1969 para a construção da rodovia Imigrantes, a Dersa atualmente só opera a travessia de balsas em oito pontos do litoral paulista. As rodovias administradas pela estatal foram entregues a concessionárias. O principal passo para a extinção da Dersa já foi dado na Assembleia, com a aprovação de lei que autoriza o governador a tomar as medidas necessárias para liquidar, dissolver e extinguir a estatal.

Não se sabe ainda quando a Dersa será extinta porque a operação é complexa e cara. São cerca de 300 funcionários, a maioria deles engenheiros com mais de dez anos de carreira na empresa, o que eleva o valor das indenizações. Doria quer se livrar da Dersa porque a companhia passou a ser associada a corrupção. Um ex-diretor da empresa, o engenheiro Paulo Veira de Souza, conhecido como Paulo Preto, foi condenado a 145 anos de prisão e está preso em Curitiba sob acusação de desvios de R$ 7 milhões.

Numa outra investigação, um ex-presidente da Dersa no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), Laurence Casagrande Lourenço, ficou preso por cerca de três meses por suspeitas de desvios na obra do Rodoanel Norte. Lourenço e outras 13 pessoas são réus numa ação que corre na Justiça de São Paulo. Ambos dizem que não cometeram os crimes imputados a eles. O pedido da força-tarefa da Lava Jato para que a Dersa preserve documentos ocorre num contexto de aparente descontrole da companhia sobre questões básicas.
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Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

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