Com apoio velado de Maia, estátua de Ulysses gera controvérsia na Câmara

Morto há 27 anos após desaparecer em um acidente aéreo no litoral do Rio de Janeiro, o ex-deputado federal e presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães (MDB), volta aos holofotes do Congresso Nacional. Com 1 metro e 80 centímetros e 110 quilos, uma estátua do “pai da Constituição Cidadã”, cujo nascimento completa 103 anos no próximo domingo (6), virou o centro de uma controvérsia.
Integrantes do MDB querem instalá-la no Salão Verde, o principal e mais solene da Câmara, porta de entrada do plenário e local de incessante circulação nas terças e quartas-feiras. A área técnica é contra. Logo, caberá ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), arbitrar a disputa. Por causa do imbróglio, a imagem foi apelidada por servidores legislativos de “estátua da discórdia”. Segundo relatos feitos à Folha, o líder do MDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), defende que ela seja exposta no Salão Verde. Maia concorda, mas, oficialmente, a Câmara diz não haver ainda uma decisão formal.
A imagem do “Senhor Diretas” foi feita em bronze pelo artista plástico Clauberto Antônio dos Santos e mostra o político acenando ao horizonte. Ela foi entregue à Câmara nesta terça-feira (1º) pela Fundação Ulysses Guimarães, centro de estudos e pesquisas do MDB. Em documento datado de setembro do ano passado, ao qual a Folha teve acesso, o presidente da fundação, o ex-ministro Moreira Franco, disse que solicitou autorização para instalar a homenagem no Salão Verde. A mulher de Maia é enteada de Moreira Franco.
O pedido, contudo, enfrenta resistência na área técnica, incluindo a diretoria-geral, que produziu parecer contrário à colocação da imagem no espaço. O documento, baseado em análises patrimonial e de segurança, lembra que a resolução da Câmara número 32, de 1972, protege o edifício contra alterações que afetem a sua concepção arquitetônica ou comprometam a circulação de pessoas.
O argumento é de que a estátua apresenta uma incoerência artística com as demais obras de arte expostas no Salão Verde e que, em razão de suas dimensões, possa representar um risco à segurança, uma vez que o espaço já foi palco de protestos e manifestações. Hoje, o local exibe, entre outras produções artísticas, o painel “Muro Escultórico”, de Athos Bulcão, a escultura de bronze “Anjo”, de Alfredo Ceschiatti, além do vitral “Araguaia”, de Marianne Peretti. A área técnica chegou a sugerir que a homenagem fosse instalada no Anexo 2, onde há bustos e estátuas, ou até mesmo na Chapelaria, principal acesso usado por senadores e deputados para entrar no Congresso Nacional.
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Sobre Bahia Extra

Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

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