Bolsonaro teme ‘risco de inanição no governo’

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro reviu a posição sobre a mudança na regra de teto de gastos, que impede que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação, mas cobrou agilidade da equipe econômica para apresentar soluções para a falta de recursos que ameaça paralisar os programas do governo federal e impedir que ele deixe sua marca. Segundo auxiliares de Bolsonaro, o presidente se disse “agoniado” por estar “amarrado à política econômica”. Ele alertou a equipe econômica que teme ver o “risco de o governo morrer por inanição”. Bolsonaro tem sido pressionado pelos políticos para que atenda as demandas regionais, mas não encontra espaço no Orçamento de nenhum ministério. Embora tenha entendido e concordado com a posição do ministro da Economia, Paulo Guedes, de manter inalterado o teto de gastos, o presidente quer que as medidas para aumentar o espaço das despesas discricionárias, que tratam de investimento e custeio da máquina, sejam apresentadas o mais rápido possível. O timing do presidente e do ministro da Economia são diferentes. Enquanto Guedes pensava em buscar uma solução apenas para o ano que vem, Bolsonaro vê a necessidade de tirar a Esplanada do arrocho fiscal ainda este ano. O bloqueio orçamentário de R$ 34 bilhões, que já paralisa as atividades de alguns ministérios, precisa ser revertido nas próximas semanas, alertou. Apesar dos pontos de vista diferentes, auxiliares do presidente dizem que a boa relação entre os dois permanece inalterada. Auxiliares do presidente compararam a situação atual a de um hospital que tem uma ambulância parada no seu pátio, mas deixa o doente morrer sem transportá-lo para outro local que lhe dê atendimento simplesmente porque existe uma proibição de usá-la. Com este raciocínio, o presidente tenta convencer Guedes e os demais integrantes da equipe econômica de que a solução para o problema tem de ser rápida porque “a chiadeira” está muito grande e ele reconhece as dificuldades de todos. A conversa entre o presidente da República e o ministro da Economia, no gabinete de Guedes, aconteceu logo após o porta-voz da Presidência, ter reiterado as falas de Bolsonaro, criticando o teto de gastos. O porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, chegou a dizer que Bolsonaro tinha encomendado a Guedes estudo para ajustar o teto, criado no governo do ex-presidente Michel Temer. No Planalto, fontes disseram que o porta-voz não teria sido devidamente instruído para falar sobre o tema, o que ampliou o problema. Embora o próprio Bolsonaro tivesse dito, pela manhã, que rever o teto era “questão de matemática”. O presidente foi questionado depois do Estadão revelar que havia pressão da Casa Civil e da ala militar para que a regra fosse afrouxada. Nesta quinta-feira, pela manhã, o presidente foi ao Twitter fazer uma defesa do teto, desdizendo o que disse ontem. Depois da conversa com Guedes, o presidente passou a incorporar o discurso da equipe econômica de que “tem de furar o piso pra baixo” e pregar a necessidade de reduzir o rombo das contas públicas, para abrir margem para que se possa fazer investimentos. Hoje, apenas 6% do Orçamento não está engessado com pagamentos de despesas obrigatórias, como salários e Previdência. Uma das discussões na reunião foi a de reduzir em R$ 10 bilhões as despesas obrigatórias, permitindo, assim, o aumento das despesas relacionadas a investimentos e custeio da máquina. Para o presidente, isso ajudaria o governo a respirar um pouco mais aliviado. Nas conversas no Ministério da Economia, sobre medidas que podem ser tomadas para encontrar alívio no Orçamento, chegou a ser sugerido, mas imediatamente descartada, a possibilidade de redução de três ministérios, unindo-os. A sugestão foi ali mesmo descartada, pela economia pífia que poderia gerar e pelos problemas políticos que desencadeariam. Para mostrar o tanto que está sendo pressionado e que é preciso encontrar uma solução rápida para a falta de verbas, o presidente tem lembrado que recebeu da bancada de Santa Catarina, para um café da manhã, quando eles pediram recursos para completar obras em estradas importantes do Estado e considerou a reivindicação justa e viável de ser atendida. No entanto, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o alertou de que não teria como atender o pedido, mesmo em 2020 por causa do Orçamento apertado. O presidente afirma ter se sentido em uma “saia justa”. Para Bolsonaro, a equipe econômica não pode ser tão “cartesiana” e precisa ajudá-lo a garantir uma margem para atender as demandas políticas.
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Sobre Bahia Extra

Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

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