Funcionário falso, agressão, tiro e ato obsceno são crimes no dia a dia da Câmara

De 1º de janeiro de 2015 a 3 de junho de 2019, a polícia legislativa da Câmara dos Deputados registrou 778 crimes. Entre eles, nada de corrupção ou lavagem de dinheiro, tipificações comuns no noticiário político. No tapete verde, onde circulam em média 18 mil pessoas por dia, o maior número de registros tipificados são os de furtos. Foram 59 no período, segundo dados obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. O número pode ser maior, uma vez que há 468 crimes não tipificados e registrados nos boletins da Casa apenas como “em apuração”. Não é a única modalidade de delito no prédio. Há boletins de ocorrência por importunação ofensiva ao pudor, disparo de arma de fogo, fingir-se de funcionário público, fraude bancária, lesão corporal, posse de drogas e até “possível prática de prostituição”.
Apesar disso, quem passeia pelo Congresso vê uma sensação de segurança: bolsas e mochilas são espalhadas pelo tapete do salão verde, computadores de jornalistas ficam largados nos balcões de comissão enquanto os repórteres correm atrás de entrevistados, e celulares de deputados ficam desassistidos sobre as mesas do plenário. A criminalidade atinge as duas pontas do espectro político. “Na portaria do anexo 2, o referido deputado foi agredido por manifestantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores)”, diz, por exemplo, uma ocorrência de abril de 2015. Na outra ponta, em junho do mesmo ano, uma pessoa foi ao Depol (Departamento de Polícia Legislativa) registrar uma agressão física no corredor que leva à liderança do PT. “Levou um soco no olho esquerdo por uma pessoa que se manifesta a favor da redução da maioridade penal”, lê-se no documento.
O acesso aos documentos só foi permitido depois que os dados pessoais fossem retirados, o que impossibilita a identificação dos envolvidos. Em 2016, enquanto a Câmara pegava fogo com o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o número de alguns crimes também subiu: foram oito desacatos, cinco danos ao patrimônio público e 22 fraudes bancárias —o pico deste tipo de crime nos anos pesquisados. Para o presidente da comissão de segurança pública, Capitão Augusto (PL-SP), o clima político acirrado tem ligação com a subida de determinados crimes.
“Toda pauta como foi a reforma trabalhista, como foi o impeachment, que mostra as paixões políticas é óbvio que aumenta a ocorrência, porque algumas pessoas se excedem”, disse. “Quando a pauta é tranquila, ninguém vem se manifestar.” Em 2018, uma educadora compareceu à delegacia para registrar que um servidor terceirizado lhe enviava mensagens “com teor de importunação ofensiva ao pudor” por meio do aplicativo WhatsApp.
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Sobre Bahia Extra

Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

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