Sessão Especial discute o Futuro das Águas em Itabuna

Discutir com a sociedade civil organizada o futuro das águas em Itabuna. Este foi o objetivo da Sessão Especial realizada na Câmara de Vereadores de Itabuna na quarta-feira (24). A sessão foi convocada e presidida pelo Jairo Araújo (PCdoB) e teve a mesa composta por Jader Guedes (presidente da Emasa), Valerie Nicollie (professora da UFSB), Luciano Leal (diretor do Sindae - Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente no Estado da Bahia), Paulo Eduardo Silva (representante do Comitê de Defesa das Águas) e Fábio Ramos (OAB-Subseção Itabuna). O evento também contou com a participação dos vereadores Babá Cearense (PHS), Enderson Guinho (PDT), Ronaldão (DEM) e de vários sindicatos e movimentos sociais.
Apesar de não ser o tema principal da sessão, uma eventual privatização da Emasa esteve presente em todas as falas. Segundo Jader Guedes, a empresa é viável economicamente, porém não dispõe de recursos a curto prazo para realizar investimentos no Rio Cachoeira, no tratamento e na coleta. “A Emasa é viável, mas tem uma dívida do passado que precisa ser paga”. Segundo Jader, a Emasa deve cerca de 100 milhões.
Luciano Leal informou que Itabuna e outras cidades brasileiras estão indo na contramão do que está acontecendo no resto do mundo. Segundo ele, existe uma onda de reestatização e remunicipalização das águas. “Cidades como Berlin, Buenos Aires, Paris, Indianapólis, dentre tantas outras privatizaram a água e o saneamento no passado e agora estão pagando caro para voltar ao antigo modelo”, disse Leal. “Água tem que ser tratado como um bem fundamental, não como mercadoria, e as empresas privadas visam apenas o lucro, não vão querer investir onde não houver vantagem financeira e os maiores prejudicados por esta lógica perversa serão os moradores dos bairros mais carentes”, ponderou Leal.
Para Jairo Araújo, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a sessão trouxe diversas informações da academia, da representação dos trabalhadores e da própria Emasa. “Estamos diante de um desafio muito grande em Itabuna. Vivemos uma crise ambiental imensa, que envolve a poluição do Rio Cachoeira, falta de educação ambiental e uma ausência muita grande do poder público municipal”, analisou Araújo.
“Ficou claro para todos que o único caminho que o caminho que o governo não deve seguir é o da privatização/concessão. Somos contra essa parceria público/privada. Vamos promover um grande debate com a população, porque a Emasa é viável, e isso é atestado pelo estudo da Fundação Getúlio Vargas, contratado pelo próprio governo municipal. A questão é: em quanto tempo podemos superar esta crise, principalmente do ponto de vista da captação e da distribuição de água. Eu acredito que Itabuna consegue vencer esse desafio com uma Emasa pública”, concluiu Jairo.
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