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Cacau movimenta R$ 14 bilhões por ano no Brasil

Ao consumir os diversos produtos feitos de cacau e se encantar com o chocolate, o subproduto mais famoso da amêndoa, o consumidor não imagina que esse alimento movimenta a economia e aquece a geração de empregos no campo. No Brasil, a produção movimenta cerca de R$ 14 bilhões anualmente. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indicam que o cacau, com uma taxa de 8%, é um dos oito produtos agrícolas que apresentam aumento do faturamento neste ano. São 745 mil hectares de área plantada no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
O Brasil importa cacau para suprir o que as lavouras brasileiras não conseguem entregar para atender a crescente demanda da indústria. Nos últimos anos, o setor sofreu bastante os efeitos da crise econômica do país e da crise hídrica, que reduziu a safra e impôs maiores custos à indústria por causa da necessidade de importação do produto. Enquanto as lavouras de cacau brasileiras não retomam a produtividade suficiente para o abastecimento interno, o setor importa a amêndoa de Gana.
A expectativa é de que o governo brasileiro volte a permitir a importação do cacau também da Costa do Marfim. A entrada do produto no Brasil foi suspensa por causa de um carregamento com um tipo de praga típica do país africano e que não existe no território brasileiro. Para garantir a segurança sanitária e certificar o país como habilitado a exportar cacau para o Brasil novamente, o Mapa reavalia a análise do risco de praga da Costa do Marfim.
A importação não é a escolha ideal, mas tem sido a única alternativa para que as fábricas mantenham as atividades e os postos de trabalho, segundo avaliação da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). “A importação nunca é a opção mais vantajosa, pois temos a elevação de custos e os processos mais burocráticos. Entretanto, essa tem sido a única maneira de cobrir a instabilidade da produção nacional nas últimas décadas”, explica o diretor executivo da AIPC, Eduardo Bastos.
O recebimento interno da matéria-prima pela indústria deve aumentar cerca de 10%, elevando de 162.130 toneladas em 2017 para 180 mil toneladas este ano. A previsão da AIPC é de que as importações de cacau caiam para 40 mil toneladas em 2018, cerca de 20 mil toneladas a menos do que as 61 mil toneladas compradas no ano passado. “A oferta nacional do insumo permanece abaixo da satisfatória para atender à demanda da indústria processadora nacional, cuja capacidade de moagem é de 275 mil toneladas”, enfatiza o dirigente da AIPC. A entidade representa 97% do parque processador de cacau no Brasil, sendo responsável pela geração de 4,2 mil empregos diretos nas cinco fábricas instaladas nos estados da Bahia e de São Paulo.

Processamento
Quando se fala em cacau, é o chocolate que vem à mente. É natural que isso aconteça, já que esse subproduto da amêndoa é apreciado por grande parte da população brasileira. Mas a indústria do cacau não se limita à fabricação de chocolate, também exporta insumos já processados, como a manteiga de cacau e o pó de cacau, entre outros itens. O Brasil tem o terceiro maior parque confeiteiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e da Alemanha, sendo que a cadeia do cacau participa com cerca de R$ 20 bilhões no PIB do país.
A recuperação do setor no Brasil passa pelo aumento do consumo de chocolate. “Quanto maior a renda, maior o consumo de chocolate. Entretanto, é preciso observar que ainda estamos em um ano de instabilidade política e de muitas incertezas em relação ao cenário eleitoral, o que sempre acaba impactando a economia”, observa o diretor executivo da AIPC.
Para ajudar na ampliação da produção brasileira de cacau, garantir um chocolate de melhor qualidade e aumentar o apetite do consumidor pelo produto nacional, já se debate a elevação na quantidade de cacau no chocolate para 27%. Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que, para um produto atualmente ser considerado chocolate, sua composição deve conter 25% de cacau, no mínimo. Em outros países, o produto tem até 35% de cacau. A intenção é aumentar não só o consumo interno, mas, também, as exportações.
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